Dos primórdios ao nome Canela
Dos primórdios a 1900
Os primeiros a passar
O movimento nos Campos de Cima da Serra começou por volta de 1634, com o gado que era trazido para as Missões Jesuíticas pelos tropeiros do século XVIII. O comércio de bovinos, cavalos e mantimentos era um vai e vem entre Minas Gerais, São Paulo e Colônia do Sacramento, no Uruguai.
A rota era feita pelo litoral, mas ao chegar à altura da Barra da Laguna, devido às altas escarpas, tinha que ser desviada subindo a serra. Os tropeiros cruzavam a região para dar pastagem ao gado e descansar, pois eram viagens longas de muitos meses. Alguns casavam pelo caminho, se aquerenciavam e permaneciam anos em um lugar antes de seguir viagem.
"Os tropeiros andavam com as bruacas carregadas com charque, queijo, farinhas e açúcar. Esse era o nome que se dava aos sacos ou malas rústicas de couro cru, usadas para transportar objetos, víveres e mercadorias no lombo das mulas e cavalos. O gaúcho segue usando diferentes modelos, as mais conhecidas são as “malas de garupa” feitas de lonas listradas."
A caneleira onde os tropeiros descansavam
O nome de Canela originou-se da caneleira, um tipo de árvore frondosa existente na região onde os tropeiros costumavam descansar. Tem o nome científico de Ocotea pulchella e os nomes populares: canela-do-brejo; canela-lageana; canelinha.
Não tem nada a ver com a canela que serve para fins culinários, que cientificamente é conhecida como Cinnamomum verum, e popularmente por caneleira-verdadeira, nativa do Sri Lanka, de cuja casca se produz o tempero canela. Não é uma afirmação científica, mas dizem que essa árvore não vive solitariamente, precisa de forças amigas da natureza ao seu redor. A da história de Canela foi cortada na época da construção da estação do trem.
1780 a 1864
Os donos do Fachinal
Desde que o tenente português Apolinário de Almeida Roriz tomou posse de uma área de aproximadamente 180 milhões de metros quadrados que abrangia parte do atual município de São Francisco de Paula e boa parte do atual município de Canela, incluindo o Campestre Canella, onde atualmente fica o centro da cidade, e o Saiqui, até a chegada da Família Wasem no Caracol, houve um intervalo de 80 anos.
OS NOMES ANTIGOS DOS LUGARES: "O Campestre Canella era um nome pouco conhecido pelos tropeiros. O Faxinal era chamado de “Guirra”, como o arroio de mesmo nome, e o lugar onde fica Gramado era conhecido por 28 ou Quilombo. Nessa época, o Caracol também não era muito conhecido, se referiam a ele como Fundos do Faxinal."
Nesse meio tempo, os campos do Fachinal passaram por vários donos: Joaquim da Silva Chaves, (1784), Antônio José Alves de Sá (1800), Henrique José do Amaral (1817) e Cândida do Amaral e Silva (1833). Cândida começou a dividir as terras vendendo parte para o genro Francisco Pacheco de Paula Machado (1856), e doando seus bens por testamento para o filho Manoel Henrique do Amaral e para o tenente Felisberto Soares de Oliveira, casado com Vitalina Pacheco.
1809
Quando o Canella pertenceu à Santo Antônio
Em 27 de setembro, a Capitania do Rio Grande de São Pedro, como o Estado era chamado, foi dividida em quatro grandes municípios: Porto Alegre, Rio Grande de São Pedro, Nossa Senhora do Rosário de Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha. Neste caso, São Francisco de Paula, o Fachinal e o Campestre Canella pertenciam a Santo Antônio da Patrulha.
1820/21
Primeiro morador do Campestre Canella
Joaquim da Silva Esteves, casado com Rosa Maria do Amaral, concunhado do dono do Fachinal, descobre que não existia documento oficial das terras. Se antecipa e entra com um pedido de concessão por sesmaria do Campestre Canella para o Império sob a promessa de tornar as terras produtivas. Foi assim que em abril de 1821, Joaquim da Silva Esteves se tornou o primeiro dono legítimo e primeiro residente do Campestre Canella.
1864
O segundo morador do Canella
Cândida Bella da Silva concedeu casa e campos para Guilherme Wasem tomar conta. No entanto, a família viveu durante poucos anos naquelas terras, pois a dona vendeu o campo para Joaquim Gabriel de Souza. Logo, vendo-se obrigado a sair de lá, Guilherme deslocou-se com a família mais para o norte, instalando-se numas terras onde se encontrava uma linda cascata entre matas virgens.
Na época não havia grande interesse dos posseiros em ter cascatas e cachoeiras. De nada lhes valia uma cascata; preferiam, antes, possuir terras para cultivar. Guilherme tomou essas terras por ocupação primária em época mansa e pacífica.
Fotos: foto 1 - A caneleira onde os tropeiros descansavam / foto 2 - Antiga residência do Capitão Felisberto Soares de Oliveira, construída em 1884, na Fazenda do Fachinal. / foto 3 - As terras que pertenciam a Guilherme Wasem são divididas entre Canela e Gramado pelo arroio do Caracol. / foto 4 - imagem do Santo Antônio da Patrulha
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